terça-feira, abril 20, 2010

Jogue o guarda-chuva no lixo.


É que chove tão pouco e hoje é nosso verão-inverno. Ou seria inverno-verão? Venta tanto lá fora. E aqui dentro faz calor. Quero segurar na mão sua e sair com um vestidinho fresco, correr no quintal, vamos? Com essa sua roupa mesmo, vamos feito loucas, vamos? Meu cabelo quer água que vem do céu. Meu rosto, meu corpo, eles querem.

Corremos. Pulamos. A água cai e cai. Penso que vou escrever sobre isso, sobre como banho de chuva lava a alma. Deitemos no chão e abramos nossas bocas. Esqueçamos da idade, do emprego, do trabalho, da obrigação, da tensão, da roupa engomada e limpinha. Chutamos a água que ficou nas pocinhas. Cantamos "singing in the rain" e "tomar um banho de chuva".

Ah, assim, sim. Cabelos gotejando, roupas pesadas de água, lábios arroxeados, queixos tremendo, risadas incontroláveis. Chuva hilariante, parece! Vamos, a gente corre. As mãos pra cima, um ritual pra chover mais, parece. Parece que somos loucas, que somos pequenas, que somos crianças, que somos nós. E tão lindas estamos na radiante noite de chuva. Lá na rua umas crianças de verdade, daquelas que as mães não estão nem aí, correm e gritam. E nós aqui no quintal. Pinga, pinga. Acabou. Vamos deitar no chão, pedir mais? Pedir mais chuva ou mais noites destas? De repente meu sorriso não quer mais sair do rosto.

Alguns receitam, pra curar problemas, banho de sal grosso ou banho de mar (entrando de costas, parece). Eu digo: chuva. Chove e a gente chove junto. Chova. E jogue aquele trambolho que chamam de guarda, mas é, na verdade, um espanta-chuva, no lixo. Vamos chover?

2 comentários:

Manu disse...

também acredito nesse poder da chuva!
beijos,ari
;***

Edu disse...

Tão bom passar por aqui e ler cada frase. nossa! muito bom! um 'descanso na loucura'! muito obrigado!!
ps: adorei o visual da casa!!^^