quinta-feira, maio 06, 2010

Dos valores

Porque eu posso suportar que me chamem por outro nome. Posso suportar que deixem de me amar. Posso suportar que não queiram mais me ver, que se decepcionem comigo, mesmo eu tendo feito tudo sem querer. Posso acreditar quando me dizem que eu não presto. Posso até me perdoar por não conseguir deixar de acreditar nas pessoas até que elas me provem o contrário. Posso suportar cólica, dor nas pernas, nas costas e no coração. Posso admitir facilmente que não sou melhor do que ninguém. E posso até dizer (e digo) que sou pior. Não ouço, falo muito nas horas erradas, pouco nas horas de falar. Gosto de gastar, não sei economizar, mesmo pregando o planejamento financeiro todos os dias no meu programa de rádio. Sou muito pequena, ainda, muito pequena. Cometo, sim, uma série de pequenos pecados. Muitas vezes posso ser imperdoável. Mandona, crítica, lamento à toa, reclamo de tudo. Me altero. Corrijo erros de português sem quem ninguém me peça. Sou seletiva, preconceituosa com quem bebe, quem fuma e com muitos gêneros musicais. "Não gosto do bom gosto, do bom senso, dos bons modos". Quando quero, me irrita não ter. Sou impulsiva. Dengosa, carente, esquecida. Trabalho muito, até mais do que gostaria. Não tenho tempo e não dou a atenção necessária a muita gente.

Mas injusta, não. E mentira, nunca admiti. Não aceito. Não concordo com mentiras. Sob hipótese nenhuma. Mentiras destroem o conceito que faço de caráter. Mentiras não são aceitas no meu mundo.

Agora, doutores, gostaria encarecidamente que alguém me respondesse: porque a gente insiste em querer que os outros nos tratem como nós os tratamos? Pois eu posso respeitar os diferentes valores que cada um tem. Mas não, não consigo respeitar a falta de valores.

terça-feira, maio 04, 2010

Dói aqui, doutor.

- Nome?

- Ariane, mas pode chamar de Ari, Ári.

- Qual a queixa da senhora?

- Senhorita, que ainda não casei, doutora. Nem casei.

- Da senhorita...

- É dor - diz e se deita lentamente na maca. Pensa que é um divã.

- Onde é a dor?

- Bem aqui, no coração - toca no local com cuidado.

- E como é essa dor? Arde? Se espalha?

- Arde demais. E se espalha também. Minhas costas ficam tensas, meu pescoço. Tudo dói. E é uma ardência sem fim. Queima tanto. - levanta desesperada. Depois deita e olha para o teto. - Acho que morro aos poucos, doutora. Deve ser sério. Acho que morro.

- Sei. E a dor melhora com alguma coisa?

- Sim. Chocolate. É tiro e queda.

- Sinto, mas só posso encaixar seu problema como dor psicogênica.

Ela engasga. Tosse.

- E é grave doutora?

- Apaixona-se com frequência?

- Pouco, mas intensamente.

- Sim, é grave.

segunda-feira, maio 03, 2010

Deixo meus bens para...



Eu e o Caramelo ficamos tão dramáticos, quando doentes...
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