terça-feira, maio 04, 2010

Dói aqui, doutor.

- Nome?

- Ariane, mas pode chamar de Ari, Ári.

- Qual a queixa da senhora?

- Senhorita, que ainda não casei, doutora. Nem casei.

- Da senhorita...

- É dor - diz e se deita lentamente na maca. Pensa que é um divã.

- Onde é a dor?

- Bem aqui, no coração - toca no local com cuidado.

- E como é essa dor? Arde? Se espalha?

- Arde demais. E se espalha também. Minhas costas ficam tensas, meu pescoço. Tudo dói. E é uma ardência sem fim. Queima tanto. - levanta desesperada. Depois deita e olha para o teto. - Acho que morro aos poucos, doutora. Deve ser sério. Acho que morro.

- Sei. E a dor melhora com alguma coisa?

- Sim. Chocolate. É tiro e queda.

- Sinto, mas só posso encaixar seu problema como dor psicogênica.

Ela engasga. Tosse.

- E é grave doutora?

- Apaixona-se com frequência?

- Pouco, mas intensamente.

- Sim, é grave.

2 comentários:

Manu disse...

Ari, também sofro desse mal. Chocolates diet e light são contra-indicados :***

Vitória disse...

demais