quarta-feira, maio 20, 2009

Um dia


Quando ela entrava no carro e ligava o som, esquecia do mundo, do stress, da vida. Ia dirigindo, cantando ("por ti volareeeeee"). Ia acelerando, freando, passando as marchas entre estrofes e refrões. Mas hoje não. Hoje o carro enguiçou, a música parou. Choveu, mas estava quente de dar nó no juízo. A roupa estava mais apertada, a barriga parecia bem maior, o cabelo estava com certeza mais encriquilhado, sem chapinha que desse jeito. O principal entrevistado do dia desmarcou horas antes de o programa entrar no ar. O celular não tinha mais créditos. A mãe queria ajuda. Ela queria um abraço, um café e conversas ao vento, mas não podia. A carteira também estava vazia: nem um realzinho. O cartão de crédito estourado. Uns amigos ocupados, outros a desprezando, outros nem se lembrando. Os irmãos longe. O bichinho de estimação fora provavelmente levado por uma gato malvado (esses bichos não são 'de Deus', gente). O texto que ela precisava escrever em um hora não sai nem por decreto da cabeça dela. E quando ela acha que nada pode piorar... voilá! Piora, sim, pode crer. Às vezes o dia pode ser cruel com a gente. Mas, é o que dizem: ainda resta a ela saúde. Deus, será que a gente poderia pular esse dia, hein?