segunda-feira, fevereiro 22, 2010

A arte de cozinhar


Pois bem, quero falar da vida. Que ela "é real e de viés". Que ela "é pra valer, que ela é pra levar". Muita, mas muita gente cantou, poetizou, gritou em nome da vida. A vida isso, a vida aquilo. A vida, uma caixinha de surpresas. A vida é dura. Temos que viver a vida simplesmente. A vida, a vida, a vida.

E eu digo: agora é minha vez. A vida, a gente leva calmamente, sim. Mas não tão lenta. É tipo uma receitinha, sabe? Mas tipo as que a mamãe cozinha: às vezes leva mais sal, às vezes mais pimenta. Você nunca sabe a quantidade certa, mas sabe que tem que ter tempero.

Aí entra noutra questão: de onde que vem o tempero? As pessoas que passam na sua cozinha é quem podem te dar. Tem gente que bota sal demais e fica intragável. Pimenta demais, urgh. Não dá nem pra engolir. Mas uma pitada de pimentinha até que vai bem, nénão?

Às vezes a sua vida está uma sobremesa, alguém coloca chocolate e leite condensado à vontade e vai ficando um doce bom, tão bom que nem parece verdade... Aí parece que exageram no leite, a massa desanda e fica tão sem açúcar que você nem acredita como é que um doce tão, outrora, indescritivelmente bom, pôde ficar ruim.

É isso, meus bens. A vida docinha ou salgada são as pessoas que passam pela nossa cozinha que fazem. Mas o prato é você quem escolhe e quem mexe na sua panela, quase sempre é você quem diz também.

Assisti ao filme "Ratatouille" (foto) quando estreou no cinema, em 2007, com um amigo de quem gostava muito. Saí com uma sensação legal. Depois de anos comprei e reassisti. Tão bonitinho e com aquele ar refrescante de Paris! Um ratinho cozinheiro, Remy, ajuda a temperar a vida de um moço fracassado.

Então vamos tentar escolher bem nosso cozinheiros. E vamos também tentar ser os mestre-cucas, os Remy dos outros. Porque às vezes só porque nosso prato está sem sal, a gente quer esculhambar o prato alheio. E tem aqueles que nunca estão satisfeitos com sua comida, sempre de olho no prato do vizinho. Que tal nos concentrarmos em guardar bem nosso temperinhos pra sair por aí temperando a vida dos outros bem direitinho? Porque às vezes ainda tem jeito de mexer aqui e ali e concertar o prato. Mas às vezes, só jogando fora a comida estragada e enchendo o prato de novo. Aí dá um trabalho...

Um comentário:

fatima disse...

Ahh...adorei amiga,esse texto ! Vai um temperinho aí ?
=P