quarta-feira, dezembro 02, 2009

Fugir




Vamos fugir? Dormir na grama, olhando as estrelas? Contar todas elas sem se importar com verrugas? Respirar fundo e não precisar olhar pra trás?

Vamos andar sem rumo?
Dirigir pra onde a cabeça nos mandar? Pra onde o coração nos guiar? Parando pra ver a beleza das coisas? Deixar o sorriso derramar, deixar os olhos nadarem por aí: nas coisas, nos verdes, em outros olhos.

Não vamos dar satisfações: os chefes, os pais, os credores nos mandarão apenas cartas de saudades dos tempos em que trabalhávamos com paixão, pedíamos carinho e abrigo, devíamos.

Vamos apenas sonhar. Tomar banho de sol e de chuva. Deixar o cabelo ao vento. Vestir só vestidinhos leves e floridos. Usar chinelinhos-de-dedo velhos.

Dar as mãos, fazer carinho, comer chocolate, ler poesia, assistir filme, sorrir pras pessoas, correr sem rumo.

E no final do dia termos os braços uns dos outros pra se abrigar, se aquecer, se refrescar e esquecer das dores do mundo e das costas.

sexta-feira, novembro 20, 2009

O lirismo não se aquieta

O lirismo tenta sair de mim
dos meus poros,
dos meus olhos,
das minhas mãos.

Meu lirismo quer sair
da ponta da minha caneta
quer se transformar
em desenhos e palavras.

Meu lirismo explode:
em lágrimas,
em sorrisos,
em poesia.

Ele é feito de lembranças
cores
cheiros
sonhos
palavras desenhadas em minha pele.


em 15/11/2009

terça-feira, novembro 17, 2009



Três coisas que só deveriam constar no dicionário: afta, injustiça e saudade.

domingo, novembro 15, 2009

A moça com copo d'água.




[O Almoço dos Canoeiros, 1881. Pierre-Auguste Renoir]

Já que falei de Renoir, lembrei dessa cena do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". São ótimos os diálogos dela com o homem dos ossos de vidro, monsieur Dufayel. Esse resume quem ela é, e é de um sensibilidade... Para quem não assistiu, Dufayel é pintor e está reproduzindo um quadro de Renoir. Logo esse aí ao lado.

Dufayel -Nesses anos todos, o único personagem que ainda não consegui captar é a moça com o copo de água. Ela está no centro e, no entanto, está fora.
Amélie - Talvez ela seja diferente dos outros.
Dufayel - Em quê?
Amélie - Não sei. Quando era pequena, não devia brincar com outras crianças. Talvez nunca. Ou ela queria resolver a bagunça dos outros.
Dufayel - E quem vai arrumar a bagunça da vida dela?

*Agora achem a moça com o copo d'água!

*PS: Dudu, não sou amelística! (Não poderia passar essa piada interna...)

A Canção da Vida, por Mario Quintana.



A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

Mario Quintana (Esconderijos do Tempo)

Houaiss diz:
*Sarabanda: movimento incessante; roda-viva
*Corrupio: ação de girar; giro, volta, rodopio.
*Renoir: Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)- célebre pintor francês e um dos mais importantes nomes do movimento impressionista. Uma das obras mais famosas dele, "Os Guarda-Chuvas", está logo aí pra vocês verem.