Hoje eu vou falar de música. Existem músicas e músicas. E existem também gostos e gostos. Mas tem isso: ainda que eu ame o Ney Matogrosso e você não o suporte
(morra, morra!) e ainda que eu abomine
"Aviões do Forró" (Oi? O blog é meu e eu não consigo deixar esse nome do mesmo tamanho do do Ney) e muitos seres deste Ceará amem, música imprime, marca mesmo. Seja uma letra marcante seja um popzinho sem graça, todo mundo tem a sua música. Não tem quem não pense em alguém ou algo quando ouve aquela música. Ou naquela situação. Ou naquele fim-de-semana. Para mim a vida só funciona com trilha sonora. Às vezes eu me acho meio Truman. Parece que minha vida é um filme estranho, e eu já escolhi a trilha sonora de cada ceninha dele (Ca-la-ro que Ney está em muitos destes momentos). De vez em quando eu me pego pensando em alguns momentos da minha vida e a música sai rolando na minha cabeça, como se fosse uma cena de filme mesmo. Tem coisa mais legal do que ouvir aquela música que você não ouve há cem anos e lembrar daquela florzinha que você ganhou naquele momento especial? Ou daquelas manhãs de domingo? Vem aquele estremecimento repentino e automaticamente vêm as lembranças.
Djavan me lembra manhãs de domingo quando eu era criancinha e ainda dançava pisando nos pés do meu pai. E tem aquela do Milton Nascimento que o meu pai cantava para eu dormir e dá vontade de chorar quando ouço: "Porque ainda é inverno em nosso coração/Essa canção é para cantar/ Como a cigarra acende o verão/ E ilumina o ar/ Si, si, si, si, si, si, si, si...".
Tem todas as da Legião Urbana que são minha adolescência, quando eu colecionava letras de música, morria de amores, não dava bom dia pras pessoas e só usava saia jeans e blusas com a cara do Renato Russo estampada ("Tenho andado distraído/ Impaciente e indeciso/ E ainda estou confuso/ Só que agora é diferente/ Estou tão tranqüilo/ E tão contente").
Tem aquela breguinha do David Duarte (e que adouro), "O que eu queria" que me lembra meu primeiro beijo (que puro :~). E tem também a do Paulinho Moska, que me lembra meu primeiro amor: "Eu estou pensando em você./ Pensando em nunca mais/ Pensar em te esquecer" (que puro :~ [2]).
E embora eu tenho um medo horrível a essas marés montantes de passado (como diria Quintana) é sempre bom relembrar o passado. O bom e o ruim. (Tá, nem sempre é bom, mas às vezes vem sem querer).
Kenny G me lembra minha mãe. Ednardo me lembra Pacoti. O Teatro Mágico me lembra Alana. Los Hermanos me lembra Nayana. Kid Abelha me lembra Gisele. Bethânia me lembra Eduardo. Música brega me lembra Joélia. Beto Barbosa me lembra a Fáti ("Tens de me dar...", xD). Fuscão Preto me lembra o AVE. 80's me lembra Simone. Ah, e tem a música da "manga de vez", que só me lembra da Dháfine! E tem mais mil que me lembram mais coisas, histórias, pessoas, lugares.
E eu poderia passar horas falando das músicas marcantes na minha vida. De momentos especiais. De pessoas especiais. De acordes especiais. De espaços especiais.
Agora me diz: qual é a sua música especial?
E bem aqui vem a minha especial. A do momento. A de sempre.
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo/ Eu acordei com medo e procurei no escuro/ Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo/ Porque o passado me traz uma lembrança/ Do tempo que eu era criança/ E o medo era motivo de choro/ Desculpa pra um abraço ou um consolo/ Hoje eu acordei com medo mas não chorei/ Nem reclamei abrigo/ Do escuro eu via um infinito sem presente/ Passado ou futuro/ Senti um abraço forte, já não era medo/ Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim/ De repente a gente vê que perdeu/ Ou está perdendo alguma coisa/ Morna e ingênua/ Que vai ficando no caminho/Que era escuro e frio mas também bonito/ Porque era / iluminado/ Pela beleza do que aconteceu/ Há minutos atrás".