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domingo, junho 13, 2010

Ah, a inveja.

Basta você estar feliz para aparecer esse negocinho aí, a danada da inveja. Experimente ter uma namorado ótimo, um emprego legal, ser promovida, ter uma família bonita, vestir-se bem, cortar o cabelo, comprar um carro, ter boas ideias ou escrever mais ou menos... Uma só dessas coisas já desperta a inveja abissal de alguns.

Aí você olha para o lado, já foi. O olho daquela sem classe já está no ex-homem da sua vida. Cortaram o cabelo igualzinho ao seu. Compraram um carro da mesma cor e da mesma potência do seu (talvez até mais novo). Aquela sua roupa legal, você já nem usa mais porque todo mundo tem uma igual. O estilo dos textos mais simples que você escreveu estão no orkut e no blog de gente sem personalidade. Orkut e blog? Vamos me poupar. Imitações baratas são tristes. Escreva um livro, scharmand.

Que gente pequena. Contentar-se com o usado? Não, obrigada. Pode ficar com meu velho eu, com o que já usei. Não é difícil me reinventar. Só não dê assim tão na vista, da próxima vez.

Agora, renovada, você? Pra cima de mim? Rá.

quarta-feira, junho 02, 2010

Quem mexeu na minha serotonina?

A inspiração não vem. Nem a caneta e o papel me arrancam os suspiros. Quando sento aqui, em frente ao computador, essa máquina que me liga o mundo, que me acompanha o dia todo, toda a inspiração se esvai. E isso é estranho e péssimo, porque meu trabalho depende da inspiração, sabe? Mas é sentar aqui, e tudo some. Parece um bloqueio.

Leio mil blogs e invejo alguns. Não porque são famosos, nem porque são bonitos ou tem um design lindo que eu não consigo fazer. Mas é que as pessoas conseguem escrever. Gente que consegue colocar sentimentos e ideias em palavras. E sempre que eu consigo isso, fico mais leve. É só por isso que esse blog existe. Vocês, os poucos que me leem, acompanham quão confusa, louca, desarrumada, largada, é minha alma. Mas quando eu não consigo me expressar, minha alma fica mais pesada e minha cabeça também.

O fato é que ser humano é muito, muito complicado. Eu decidiria que não quero mais, se eu pudesse. E o que isso tem a ver com não conseguir escrever, você me pergunta. Tem muito a ver. Mas se eu explicar, não vai ter graça.

E quem mexeu na minha serotonina?

quinta-feira, abril 08, 2010

Clandestina

Eu sou uma clandestina. Escondam-me, por favor. Mais uma vez descobriram: eu sou uma clandestina no mundo. E eu vou ter que correr e me esconder. Não é fácil ser clandestina! Mas, pelo menos, tem quem se compadeça dos clandestinos em um navio ou tentando a vida na soy loco por ti America. Eles só querem ser felizes, né? Eles correm riscos para tentar ser felizes, olha que bonito. Eu também, gente.

Silêncio, não espalhem, mas eu tô aqui de clandestina. Vim presse mundo achando que ia ganhar bem, ter um cachorro de orelhas caídas, carro na garagem, Ap bonitinho, casa de serra. Achando que ia casar e ter lindos e saudáveis filhos. Achando que aos 30 ia ter a vida que pedi ao Papai-do-céu. Mas descobri que vida de clandestina não é tão fácil. Não é tão fácil falar tudo o que se acredita ser necessário sem ser mal-interpretada. Nâo é tão fácil escolher as coisas nesse mundo: trabalho, amigo, par. Nem é fácil arranjar um lugarzinho pra se esticar e tomar um cadim de Sol. E assim como grande parte dos clandestinos da terra do tio Sam tem que se submeter a passar o resto da vida dançando em boates ou servindo drinks, uma clandestina no planeta Terra tem que se submeter a muita coisa. Não dá pra simplesmente cansar e voltar, minha gente. Tem que prosseguir com o que se conseguiu.

Mas antes de eu viajar não lembro de terem me dito como as pessoas por aqui são complicadas. Ou fui eu quem deletei essa informação da minha memória pela vontade de mergulhar por aqui?