quarta-feira, agosto 06, 2008

Dia bom.

Quando as frescas e transparentes gotinhas de orvalho

caídas das folhas verdes

molharam meus óculos azuis

nessa manhã clara e amarela

meu dia ficou furta-cor.


"É de manhã, vem o sol/
Mas os pingos da chuva/ que ontem caiu/
Ainda estão a brilhar/ Ainda estão a dançar/
Ao vento alegre/ Que me traz esta canção"

segunda-feira, agosto 04, 2008

Aproveitando essa vibe de alimentar o blog, vou postar mais uma. Essa não é sensível porque oi? acho que já deu por hoje! Mas enfim. Tô vindo aqui para demonstrar minha indignação. Genthi, que tá faltando homem toda mulher hetero sabe, néa? Não que eu esteja aí desesperada " a procura" porque acho isso uó! Mas, vem cá, além de tudo, temos que conviver com homens que não servem, é? Ah, porque vem um que nem te conhece pedir dinheiro emprestado (oi? tenho cara de Bradesco?) e vem outro que você achava que era teu amigo e te manda um vídeo dizendo que não existem amigas, mas mulheres que você ainda não teve a oportunidade de "pegar". Aí vem aquele outro que te deu um pé nos fundilhos do nada querendo ser amiguinho de novo e você tem que pagar de amiga-confidente? Além daqueles vários lindos e inteligentes que você pensa que estão te dando supermole, mas no fim você descobre que são gays. Sou só eu, ou todo mundo viu algo de errado aqui? Bas-ta. Cansei, genthi. Vou trabalhar, ver filmes, comer chocolate e postar no meu blógui! Cansei.

Aí quando você fala "não, mãe, sei nem se um dia vou casar" dizem que é você que não procura direito. Oi? Onde mais a gente pode procurar? Quem souber, beijosmeescreve!

Prontodesabafei!

"Essas marés montantes do passado"

Hoje eu vou falar de música. Existem músicas e músicas. E existem também gostos e gostos. Mas tem isso: ainda que eu ame o Ney Matogrosso e você não o suporte (morra, morra!) e ainda que eu abomine "Aviões do Forró" (Oi? O blog é meu e eu não consigo deixar esse nome do mesmo tamanho do do Ney) e muitos seres deste Ceará amem, música imprime, marca mesmo. Seja uma letra marcante seja um popzinho sem graça, todo mundo tem a sua música. Não tem quem não pense em alguém ou algo quando ouve aquela música. Ou naquela situação. Ou naquele fim-de-semana.

Para mim a vida só funciona com trilha sonora. Às vezes eu me acho meio Truman. Parece que minha vida é um filme estranho, e eu já escolhi a trilha sonora de cada ceninha dele (Ca-la-ro que Ney está em muitos destes momentos). De vez em quando eu me pego pensando em alguns momentos da minha vida e a música sai rolando na minha cabeça, como se fosse uma cena de filme mesmo. Tem coisa mais legal do que ouvir aquela música que você não ouve há cem anos e lembrar daquela florzinha que você ganhou naquele momento especial? Ou daquelas manhãs de domingo? Vem aquele estremecimento repentino e automaticamente vêm as lembranças.

Djavan me lembra manhãs de domingo quando eu era criancinha e ainda dançava pisando nos pés do meu pai. E tem aquela do Milton Nascimento que o meu pai cantava para eu dormir e dá vontade de chorar quando ouço: "Porque ainda é inverno em nosso coração/Essa canção é para cantar/ Como a cigarra acende o verão/ E ilumina o ar/ Si, si, si, si, si, si, si, si...".

Tem todas as da Legião Urbana que são minha adolescência, quando eu colecionava letras de música, morria de amores, não dava bom dia pras pessoas e só usava saia jeans e blusas com a cara do Renato Russo estampada ("Tenho andado distraído/ Impaciente e indeciso/ E ainda estou confuso/ Só que agora é diferente/ Estou tão tranqüilo/ E tão contente").

Tem aquela breguinha do David Duarte (e que adouro), "O que eu queria" que me lembra meu primeiro beijo (que puro :~). E tem também a do Paulinho Moska, que me lembra meu primeiro amor: "Eu estou pensando em você./ Pensando em nunca mais/ Pensar em te esquecer" (que puro :~ [2]).

E embora eu tenho um medo horrível a essas marés montantes de passado (como diria Quintana) é sempre bom relembrar o passado. O bom e o ruim. (Tá, nem sempre é bom, mas às vezes vem sem querer).

Kenny G me lembra minha mãe. Ednardo me lembra Pacoti. O Teatro Mágico me lembra Alana. Los Hermanos me lembra Nayana. Kid Abelha me lembra Gisele. Bethânia me lembra Eduardo. Música brega me lembra Joélia. Beto Barbosa me lembra a Fáti ("Tens de me dar...", xD). Fuscão Preto me lembra o AVE. 80's me lembra Simone. Ah, e tem a música da "manga de vez", que só me lembra da Dháfine! E tem mais mil que me lembram mais coisas, histórias, pessoas, lugares.

E eu poderia passar horas falando das músicas marcantes na minha vida. De momentos especiais. De pessoas especiais. De acordes especiais. De espaços especiais.

Agora me diz: qual é a sua música especial?

E bem aqui vem a minha especial. A do momento. A de sempre.
"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo/ Eu acordei com medo e procurei no escuro/ Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo/ Porque o passado me traz uma lembrança/ Do tempo que eu era criança/ E o medo era motivo de choro/ Desculpa pra um abraço ou um consolo/ Hoje eu acordei com medo mas não chorei/ Nem reclamei abrigo/ Do escuro eu via um infinito sem presente/ Passado ou futuro/ Senti um abraço forte, já não era medo/ Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim/ De repente a gente vê que perdeu/ Ou está perdendo alguma coisa/ Morna e ingênua/ Que vai ficando no caminho/Que era escuro e frio mas também bonito/ Porque era / iluminado/ Pela beleza do que aconteceu/ Há minutos atrás".

quarta-feira, julho 30, 2008

Sair

Sabe, abri e fechei esse blog milhares de vezes até voltar definitivamente, agora. Agora ele tem mais minha cara, meio alegre, meio escuro, meio amarelado pelo tempo, meio novo e fresco. Uma brisa geladinha que chega de repente pra refrescar ou para fazer tremer.

Hoje esse blog meu querido vai dizer "bem-vindos" para todos e vai reviver. Comentar o que aconteceu, o que não aconteceu e o que deveria acontecer. Ser meio de comunicação só para mim mesma, para vocês que passarem por aqui ou para ninguém (quéquetem?). O importante é dar o primeiro passo. É sempre o mais importante: sair da inércia. Saí. Vem comigo?


"Atenção/ Tudo é perigoso/ Tudo é divino maravilhoso"

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O óbvio


Quando ela resolveu sair de casa e atravessar a rua naquele dia, não percebeu que o Sol brilhava forte lá em cima. Não percebeu a brisa que previa um dia bom. Não quis notar que as crianças risonhas, não riam só para as mães e para as babás. Elas riam também para o mundo lá fora. Mas, não, ela não fez o mínimo esforço para notar a paz mágica do sorriso das crianças, a sinfonia rara dos pássaros em uma manhã radiante. Quando ela atravessou a rua, fez questão de simplesmente atravessar. Atravessar e suspirar, enfim, por mais um dia.

No fundo, ela se recriminava por só notar as pequenas alegrias tarde demais. Ela se recriminava por não saber ser uma Poliana e achar graça em tudo. Ela chegava a se desprezar por ter tanto, e ainda assim, ser um ser vazio. Sim, era verdade. Não havia como negar, parecia mesmo que estava impresso bem na ponta do seu nariz, numa placa grande com letras de forma vermelhas: empty (em inglês, para dar um ar mais hollywoodiano). Mas não era de manhã que ela refletia sobre isso. Não, não. A coisa pegava mesmo de tardezinha, quando a poeira quente da tarde vinha anunciando que mais uma noite estava chegando. "Mais um dia, pobre dia", ela pensava.

Mas aquela manhã veio diferente. Ela só ainda não sabia. Ela continuava com trabalho, com família, com dinheiro, com amigos, com lazer e com vazio. Ela continuava caminhando a passos lentos. Mas definitivamente aquela manhã chegou cheia de ar puro. (Tá, bem lá no fundinho ela até notou um brilho esquisito no raio de sol que refletia nos lábios coloridos de gloss rosa, da mocinha que corria mais adiante).

Engraçado, eu posso ouvir você dizendo que ela encontrou um novo amor, ou que uma criança inteligente disse coisas espetaculares que mudaram a vida dEla para sempre. É engraçado como as pessoas tentam adivinhar os finais das histórias! Mas, não, você está completa e redondamente enganada (enganadA, pois sei que raros homens lêem esse blog, e que eles não ficarão ofendidos com o tom segregador). Nada disso aconteceu, cara leitora. Na verdade, talvez você fique decepcionada quando souber que tudo se deu com um tombo. Não, ela não tombou com alguém incrível, ela não foi hospitalizada e viu a vida passar diante dos olhos em alguns segundos. Ela só levou um tombo. Mais um tombo. Num meio fio. Foi apenas uma torçãozinha leve que levou os grandes olhos dela pro chão do jardim da praça. Foi o suficiente.

Ela não quis mais levantar, sabe? Pela primeira vez ela viu duas joaninhas vermelhas de bolinhas pretas andando calmamente pela grama. Ela viu filhotes de flores lutando para crescerem. Ela viu botões de rosa desabrochando num espetáculo simples e lentíssimo. Lentissimamente ela percebeu um mundo minúsculo. Algo que não chegava perto do filme "Vida de Inseto", tsc tsc. Insetos não falam. Eles andam, trabalham, têm família. Eles nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. Flores também não falam (e, coitadas, não têm famílias).

Você deve estar se perguntando: "sim, mas o que tem isso demais?". É aí que está! Isso TEM demais! E são só insetos, puxa! Ela pensou primeiro: "os insetos são felizes". Mas foi aí que ela notou como aquele comentário era estúpido. Estúpido, sim. Insetos não são felizes! Insetos são insetos. Seus pequenos cerebrozinhos (licencinha poética, amigos) não pensam, propriamente. Eles mantêm a estúpida vidinha de um inseto: nascer, crescer, reproduzir-se e morrer. Foi Darwin quem disse: eles não evoluíram tanto quanto um humano, não.

Humanos, sim, pensam. Humanos, sim, podem construir cidades do jeito que querem, podem fazer músicas diferentes, podem inventar refeições diferentes todo dia (você já viu algum passarinho comendo minhoca ao molho, han?). E porque os humanos pensam? Talvez porque eles não estejam aqui só para nascer, crescer, reproduzir-se e morrer. Não é mágico? O que não faz um tombo para um ser com cérebro que só pega no tranco. Você já notou como se demora para descobrir o óbvio? Humanos são mesmo bichos engraçados.

P.S.: Não, ela não ficou feliz para sempre. Ela aprendeu a pensar. Ela aprendeu a notar o óbvio. Não é óbvio?